Na primeira parte do livro ele enumera várias afeições que aparentemente poderiam ser consideradas comportamentos de um servo de Cristo mas que no fundo eram só vaidade e emoções pessoais. Ilusões de quem vive longe do fluir do Espírito mas que pensa estar fazendo algo que louve à Deus.
Desde manifestações físicas de fervor espiritual (hoje no Brasil seria comparado ao "sapatinho de fogo" que são essas danças estapafúrdias, até o tal do "cair no espírito"), muito tempo de zelo e fervor, muita expressão de louvor (repetições vãs e choro) e até a utilização de textos das escrituras. Nada disso garante que a experiência espiritual seja legítima ou genuína.
E apesar de não nos julgarmos dignos de mensurar a manifestação do Espírito ou vivermos em tempos do "não julgueis", Edwards descreve algumas características de que, é sim possível discernirmos se uma obra ou manifestação religiosa é de Deus ou do diabo.
Algumas das principais características é que toda afeição religiosa promovida pelo Espírito são inspirações divinas (meio óbvio né? rsrs.) mas que também geram uma mudança na natureza do cristão. E aqui acho que entra argumento principal do livro: de que todo aquele que realmente foi alcançado por Cristo, pratica as obras que Cristo praticou. Não fica apenas num discurso pseudo intelectual, cheio de evangeliquês, mas a sua vida é uma expressão exata da natureza de Jesus. Desde o modo de falar até seus atos.
O discípulo genuíno não busca realizar a obra como um fim em si mesmo, como se fosse algo de natureza legalista. Mas ao contrário: suas obras são um meio de agradar aquele que o alistou e o comprou com seu precioso sangue. Não se trata de fazer algo pra compensar o favor alcançado. Mas fazer o que for necessário para agradar aquele que o amou incondicionalmente. A prática cristã e suas obras fluem não como um propósito de convencer o Senhor de que somos dignos de tal feito, mas uma manifestação de amor e gratidão justamente por nos considerarmos indignos. É algo natural. Aquele que tem uma mente dominada pelo Espírito, não pode fazer outra coisa senão manifestar as obras do Espírito. Mente e corpo aqui caminham juntos.
Resumindo, Edwards quer dizer em linguagem direta que nem tudo que reluz é ouro. E nossa obrigação como cristão é saber com quem estamos lidando e como discernir se alguém que se diz religioso o é de fato. E se até satanás pode utilizar de passagens bíblicas e comportamentais para ludibriar a igreja (Edwards cita Balaão e a tentação no deserto pra corroborar esse ponto, Paulo chega a dizer que até em anjo de luz o diabo pode se tornar!), devemos sim, julgar todas as coisas e reter aquelas que são boas. Termos cuidado com pessoas que falam da Bíblia, profetizam, conhecem bem a Palavra, tem manifestações físicas que parecem ser espirituais, mas no fundo é como palha ao vento ou uma casa construída sob a areia. Não resistem ao dia mal nem as provações cotidianas. Na primeira oportunidade, abandonam o evangelho e se rendem à Mamom.
Soli del gloria

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