sábado, 6 de março de 2021

Reconstruindo o Templo e Celebrando as Pequenas Conquistas

Uma das grande alegrias do casamento, pelo menos pra boa parte dos brasileiros que estão abaixo da média na pirâmide social, é conseguir montar sua casa aos poucos, comprando a parte da mobília que não ganhou dos padrinhos, parcelada em trocentas vezes no cartão de crédito. É ver que aos poucos a sua casa vai tomando forma do jeitinho que você sonhou (ou pelo menos, quase). 

Lembro que quando me casei só tínhamos o quarto e a cozinha prontos. Não tínhamos nada no que chamamos de sala. Literalmente! Não estou exagerando. Mas lembro que éramos (e ainda somos, com a bênção de Deus) muitos felizes mesmo com essa digamos, pendência ou ausência de mobília. Mas uma das coisas que nos trazia grande contentamento ou motivo de felicidade era entrar numa loja e comprar um móvel à vista ou mesmo parcelado. Que alegria receber o sofá novo, a televisão que tanto sonhamos, a mesa de jantar... Celebramos cada uma dessas conquistas como se fosse uma grande vitória! E era mesmo! Trabalhamos duro e poupamos dinheiro deixando de sair pra shoppings, cinemas, restaurantes, tudo pra garantir o conforto do nosso lar. Afinal, é o local onde passamos a maior parte do nosso tempo. Ver a casa sendo preenchida dava uma satisfação de dever cumprido e um sinal de que estávamos prosperando. 

Hoje em dia, vejo jovens fazendo planos para casar, principalmente as moças, exigindo dos pretendentes a casa própria e todos os móveis dentro! Não faço ideia de como conseguirão tamanha proeza. A não ser que se casem com alguém rico ou estabeleça um prazo absurdo de tempo até adquirir as coisas que desejam. Mas aí pergunto: como juntar dinheiro pra comprar as coisas se a prioridade é a tal festa memorável? E onde guardariam os móveis e eletrodomésticos se ainda não adquiriram a sonhada casa? Ou abrirão mão da festa e irão casar somente no civil? Que dilema! O triste é saber que eles não tem ideia do nível de exigência que estabeleceram como padrão e como isso pode afastar os possíveis pretendentes, o que tardará ainda mais a concretização do sonho de se casar. E caso deem sorte e consigam alguém capaz de realizar tamanha proeza, nunca sentirão o gostinho de celebrar a vitória de conseguir comprar um móvel ou eletrodoméstico que tanto sonharam, após juntar aquele dinheiro suado e economizar cortando coisas supérfluas. 

E por que todo esse rodeio? Porque me lembrei dos judeus após finalizarem a construção do templo, com a ajuda de Esdras, Neemias e dos profetas. 

Jerusalém ainda estava em ruínas e em nada parecia a cidade antiga, mas o templo, o símbolo espiritual do relacionamento de Deus com o seu povo, tinha sido finalizado e foi motivo de muita festa pelos judeus (Ed. 6. 14-22).

Como igreja, estamos passando por um momento único e desafiador no meio dessa pandemia. Mas não podemos deixar de celebrar as pequenas conquistas e vitórias diárias como a vacinação de algum ente querido, a conquista de conseguir um novo emprego ou a recuperação de algum conhecido que estava internado. Cada vitória precisa e deve ser sim celebrada. 

E assim como os samaritanos tentaram paralisar a obra criando factóides e fake news contra os judeus (Ed. 4.4-16), hoje também enfrentamos aqueles que tentam desqualificar a igreja, tentando alinha-lá com tudo de mal ou ruim na sociedade, como se toda ela endossasse as decisões tomada pelo governo. Como se vivêssemos num regime teocrático e a igreja fosse avalista de um governo irresponsável. Nada mais absurdo! 

É fato que muitos líderes cristãos se deixaram envolver com o governo em troca de status e notoriedade, mas não representam a grande maioria dos cristãos que sabem diferenciar voto com apoio incondicional. Mas também é notório que parte da imprensa progressista, intelectuais e influenciadores digitais que tem ranço de crente, aproveita a oportunidade pra destilar todo seu ódio e intolerância contra a Igreja. Já tivemos muito problemas no passado por conta da junção Estado/Igreja. Não devemos cometer esse erro novamente. (Mt22. 21)

Mas assim como Ageu e Zacarias liberaram aquele povo contra a perseguição e o desânimo, assim a Igreja hoje precisa de líderes que se levantem com uma palavra profética e cheia do Espírito Santo, afim de despertar os irmãos cansados e desanimados, para continuarmos a obra de restauração do templo. Hoje não mais um templo físico, mas a comunhão do homem com o Deus de Israel, pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (1Co. 6.19). Somos o templo do Espírito e precisamos mantê-lo funcionando dentro ou fora da Igreja. A comunhão com os irmãos é primordial para o nosso desenvolvimento espiritual, a adoração ao Senhor como corpo e a manifestação da sua glória sobre nós. Mas não devemos deixar que o vírus e a quarentena nos impeça de continuar essa comunhão com Pai dentro dos nossos lares.

A Igreja precisa continuar sendo relevante e mandar um sinal inequívoco de pureza e santidade, tanto para o nosso Deus, quanto para a sociedade. Para isso, precisamos continuar nos alimentando espiritualmente da boa Palavra de Deus, mantendo a comunhão com nossos irmãos através das redes sociais ou aplicativos de comunicação, respeitar os protocolos estabelecidos pelas autoridades e buscar assistir aos que estão enlutados e passando necessidades durante esse período. 

Não podemos e nem devemos deixar que a distância nos esfrie ou nos desestimule. Precisamos continuar a obra, crendo que foi o Senhor que nos comissionou e nos resgatou para esse grande serviço (1Pe.1-18-19). Tendo convicção que essa obra durará enquanto estivermos nesse mundo e nosso galardão e recompensa só será pagos no final da nossa jornada. 

Portanto, meus amados irmãos, sejam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão. (1Co.15.58)

 

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